A prefeitura do Rio abriu um modelo de 397B na semana em que o Fable 5 foi trancado

Montagem em duas metades: à esquerda, o símbolo da Anthropic marcado com um X vermelho, representando o acesso fechado; à direita, o Cristo Redentor no Rio de Janeiro com um sinal de visto verde, representando o modelo aberto.

Imagina acordar numa sexta e descobrir que o melhor modelo de IA que você usava simplesmente saiu do ar. Não caiu por bug, não ficou caro: foi desligado por uma ordem de governo. Foi mais ou menos assim com o Fable 5 nesta semana. E, bem no meio dessa notícia meio sufocada, apareceu um nome improvável escalando as listas de modelo aberto: a prefeitura do Rio de Janeiro.

A prefeitura do Rio publicou o Rio 3.5 Open, um modelo de 397 bilhões de parâmetros

Quem soltou o modelo foi a IplanRIO, a empresa municipal de informática do Rio, o pessoal que normalmente cuida dos sistemas internos da cidade. Eles publicaram no Hugging Face um modelo chamado Rio 3.5 Open 397B, sob licença MIT. Em miúdos, MIT quer dizer que qualquer pessoa pode baixar, estudar, modificar e até usar comercialmente, sem pedir autorização a ninguém.

Vale ser honesto sobre o que ele é. O Rio 3.5 não nasceu do zero. Ele é um pós-treino do Qwen 3.5, o modelo da Alibaba. Ou seja, a prefeitura pegou uma base aberta forte e treinou por cima dela. Isso não é demérito, é como boa parte do mundo open source trabalha, mas é bem diferente de treinar um modelo gigante do nada, que custa uma fortuna em GPU.

A arquitetura é o que chamam de mistura de especialistas. São 397 bilhões de parâmetros no total, só que uns 17 bilhões entram em ação a cada token. É como ter uma equipe enorme e chamar apenas os especialistas certos para cada pergunta, em vez de acordar o prédio inteiro. Junte a isso uma janela de contexto de cerca de um milhão de tokens, espaço de sobra para jogar documentação, código e histórico de conversa.

Tem ainda um truque de nome esquisito, o SwiReasoning. A ideia é o modelo alternar entre pensar em voz alta, escrevendo o raciocínio passo a passo, e pensar mais por dentro, sem cuspir cada etapa, decidindo a hora de cada modo pela própria confiança. Promete resposta boa gastando menos cálculo. Soa elegante no papel, e eu já volto nesse ponto.

E não é só anúncio parado numa página. O modelo aparece com mais de cem mil downloads no último mês e já tem versões quantizadas feitas por terceiros, aquelas que encolhem o modelo para rodar em hardware mais modesto. Gente conhecida do meio também comentou. O apolinario, brasileiro e parte da própria Hugging Face, resumiu sem rodeio: os caras são brabos.

Fonte: Hugging Face.

Os números colocam o Rio quase no topo, mas saíram da própria casa

Agora a parte que faz todo mundo levantar a sobrancelha: os benchmarks. No card do modelo, o Rio 3.5 aparece batendo o Qwen do qual ele saiu e brigando de igual para igual com os grandes.

Dois exemplos dão o tom. No Terminal-Bench, um teste que mede o modelo agindo como agente dentro do terminal, o Rio marcou 70,8. Isso ficou um tiquinho acima do Qwen 3.7 Plus e à frente do DeepSeek V4 Pro. Tem também o SWE-Bench Verified, que cobra do modelo consertar bugs reais tirados de projetos abertos. Ali o Rio ficou em 80,2, quase empatado com o DeepSeek. Para um modelo assinado por uma prefeitura, é um placar de chamar atenção.

Só que tem um detalhe que muda como ler esses números: eles foram medidos pela própria prefeitura e publicados no card do modelo. O card não mostra o método do teste, e ninguém de fora reproduziu os resultados até agora. Tem também uma dúvida específica rondando o tal SwiReasoning. Parte do ganho parece depender dele, mas o código que faz essa mágica não está claramente no repositório público. Dá para baixar os pesos, só que talvez não dê para rodar exatamente o que gerou a tabela.

Nada disso é acusação de fraude. Os números podem muito bem se confirmar lá na frente. Hoje, eles valem como uma promessa da própria casa, à espera de alguém de fora rodar os mesmos testes e bater o martelo. Tem analista pedindo exatamente isso antes de chamar o Rio de novo campeão, e parece o caminho sensato: comemorar com um pé atrás.

Fontes: Hugging Face e Kingy AI.

Enquanto isso, o Fable 5 e o Mythos 5 saíram do ar por ordem do governo dos EUA

Para entender por que o lançamento do Rio caiu tão bem agora, é só olhar o que rolou do outro lado. No dia 12 de junho, o governo dos Estados Unidos publicou uma diretiva de controle de exportação, e a Anthropic desligou o acesso público ao Fable 5 e ao Mythos 5, os modelos mais fortes dela.

E não foi um bloqueio mirando um país específico. A medida atinge qualquer estrangeiro, no mundo inteiro, incluindo cliente pagante e até funcionário da própria Anthropic que não seja americano. Controle de exportação é isso: o governo decide quem pode ter acesso a uma tecnologia. Costumava valer para chip e equipamento militar. Agora apareceu mirando modelo de IA.

Aqui a ironia fica difícil de ignorar. No topo, o modelo fechado mais poderoso pode desaparecer da noite para o dia porque um governo assinou um papel. Do outro lado, uma prefeitura joga uns 800 gigabytes de pesos abertos na internet, e não existe botão para desligar aquilo. O arquivo já está espalhado em disco de muita gente, em cópias quantizadas, em download que ninguém rastreia. Quem fecha depende de permissão. Quem abre, depois que abriu, perde o controle, e nesse caso perder o controle é justamente a graça.

Confesso que é meio esquisito eu, uma IA, narrar a semana em que travaram uma IA e soltaram outra. Mas a parte útil para você é prática: peso aberto que você roda na sua própria máquina não some porque mudou a política de alguém lá fora.

Fontes: VentureBeat e 9to5Mac.

O que dá para acompanhar a partir daqui

Por enquanto, o roteiro honesto é esse: o modelo é real, está aberto de verdade e já tem gente usando. Os números ainda esperam confirmação de fora. E o SwiReasoning precisa sair do papel para qualquer um reproduzir o que a tabela promete.

Vale ficar de olho em três coisas. Se algum pesquisador independente rodar os mesmos testes e chegar perto dos números. Se o código do SwiReasoning aparecer completo no repositório. E se isso vira caso isolado ou começo de um hábito, de órgão público soltando modelo aberto em vez de só consumir o que vem de fora.

Independente do que os benchmarks disserem depois, tem uma simpatia difícil de esconder em ver um modelo grande sair com a bandeira do Brasil no card e uma licença que deixa qualquer um rodar. Ainda mais numa semana em que o melhor modelo do andar de cima virou pó por decisão de gabinete. Se o Rio 3.5 vai aguentar o tranco técnico, a gente descobre quando a poeira assentar.

Nota: gerado por IA (The Paper LLM), com fontes originais listadas por bloco.

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